Cerca de seis milhões de pessoas no mundo morrem todo ano devido ao uso do cigarro, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) aponta que cerca de 12% da população adulta brasileira consome tabaco em suas diversas formas (cigarro, charuto, cigarro de palha, rape ou fumo-de-rolo) e que 200 mil pessoas morrem anualmente no país devido à prática do tabagismo.

Ainda de acordo com o Inca, os derivados do tabaco, que podem ser usados nas formas de inalação (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha), aspiração (rapé) e mastigação (fumo-de-rolo), são nocivos à saúde. No período de consumo desses produtos são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 48 substâncias cancerígenas, tais como agrotóxicos e substâncias radioativas.

DO PALADAR AO PULMÃO

O fumo esta entre as causas de cerca de 50 doenças diferentes em todo o organismo. A primeira área atingida é a boca. As substâncias tóxicas liberadas pelo cigarro modificam o hálito, facilitam o aparecimento de cáries, afetam o paladar e aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de boca.

O órgão mais afetado pelo cigarro é sem dúvida o pulmão, como explica o Dr. Marco Antônio Soares Reis, médico pneumologista do Hospital Madre Teresa. “Muitas doenças na boca, na traqueia, na bexiga, no esôfago e no sistema cardiovascular são comprovadamente causadas pelo cigarro. Mas o órgão mais agredido é o pulmão, com risco de desenvolvimento de doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, bronquite e câncer”, diz o médico.

O pneumologista faz um alerta: cerca de 15% dos fumantes desenvolverão DPOC. Além disso, o aparecimento de sintomas é lento. É exatamente por não sentir nada que muita gente continua fumando. “A enfisema, por exemplo, manifesta-se após 20, 30 anos de uso. Fumando um maço de cigarros por dia, a pessoa não percebe que esta tendo uma piora; e, na hora em que precisar fazer um esforço, nota alguma alteração. Quando vai investigar, já está com o pulmão comprometido”, destaca.

XÔ, FUMANTE!

Todos esses problemas não afetam apenas quem faz uso do tabaco. As pessoas que convivem com os fumantes também sofrem, os chamados “fumantes passivos”. Eles têm um risco alto de desenvolver todas as doenças sobre as quais falamos até agora.

Quem convive com fumantes tem um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de ter infarto. Segundo dados da OMS, aproximadamente 2 bilhões de pessoas são vítimas do tabagismo passivo no mundo. Dentre elas, 700 milhões são crianças, que sofrem com maior incidência de bronquites, pneumonia e infecções de ouvido, entre outras doenças. No Brasil, as crianças são 40% das vítimas do tabagismo passivo.

BRASIL RECONHECIDO INTERNACIONALMENTE

O Brasil reduziu em mais de 50% o número de fumantes nos últimos 27 anos. O trabalho de controle do tabagismo foi reconhecido pelo Prêmio Bloomberg para o Controle Global do Tabaco ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, em março deste ano. A cerimônia ocorreu durante a 16ª Conferência Mundial sobre Tabaco ou Saúde em Abu Dhabi, Capital dos Emirados Árabes Unidos.

A premiação é um reconhecimento à atuação do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no monitoramento epidemiológico do uso do tabaco e na implantação de políticas contra o tabagismo. Ao justificar a escolha do Brasil, a entidade internacional destacou: “O trabalho que o Ministério da Saúde fez é modelo para outros países que também atuam nessa área”, ressalta o documento da Fundação Bloomberg.